terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O matador

O despertador avisa que a hora chegou. Ele levanta-se sem demora.

Esse momento do dia sempre se repete, limpa-se, organiza-se, pega suas armas e segue o seu caminho.
Perderia muito tempo cozinhando algo pela manhã, prefere comprar um café e algo para comer na lancheria da esquina. Lancheria, aquilo era mais um bar, mas pouca diferença fazia.

Segue andando para o trabalho de hoje, coisa fácil, uma morte apenas. Usa chapéu para proteger a pele clara. Achou um prédio bom para usar como base, e antes de entrar nele comprou mais um café. Estar desperto totalmente era sempre muito importante. Tomou-o e seguiu seu caminho.


Ele entrou no prédio, haveria uma ótima vista para a praça. Subiu até o último andar. Foi até o banheiro.
Entrou em um dos boxes do banheiro, perto da janela. O tamanho e abertura da janela seriam suficientes, ele pensa.

Dentro do box ele retira a sua arma de dentro da sua maleta e a monta. Com aquela arma ele poderia acertar um alvo a vários quilômetros de distância. Entretanto estava trabalhando de modo que tudo deveria ser feito rapidamente, caso contrário perderia tudo.
Esperou pacientemente sentado no vaso sanitário. Alguém lhe mandou uma mensagem com informações a respeito do alvo.

Tudo o mais que aconteceu durou, no máximo, cinco segundos. Ele a abriu o box em que estava, verificou que não havia ninguém a observa-lo e apontou pela janela para a praça.
Ele sabia onde o alvo estava, logo o viu, carregando algum instrumento nas costas e notadamente embriagado. Tanto melhor, ao cair pensariam que fosse por causa da bebida.
Atirou, e não ficou olhando o resultado. No instante em que o gatilho foi puxado ele já voltava para o box em que antes estava. Sentou-se no vaso sanitário novamente e pôs-se a desmontar a arma e quarda-la novamente.

Depois saiu calmamente de prédio, e ao passar pela praça viu o conglomerado de pessoas. Teria sido um tiro certeiro, com sorte.
E seguiu seu caminho para a sua casa. Comprando um jornal antes de ir.

Após ler os obituários do dia anterior no jornal, onde havia um dos seus trabalhos, alguém tocou a campainha. Uma mulher, ele sabia.
Era sempre uma mulher, e não poderia ser diferente. Ela queria uma morte, sempre queria. Todas elas.
Ela entrou, pediu seu preço e vendeu a sua alma. E o matador recebeu de bom grado o seu corpo como brinde, embrulhada em seus lençóis.










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