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segunda-feira, 15 de março de 2010

Cognitio Derelictum - Aniversário

Raul observava Furlan com notável interesse. Ele andava de um lado para outro do Cognitio Derelictum, organizando e reorganizando a festa surpressa de Amanda. Ligou para os amigos dela [havia conseguido a lista de telefones não se sabe como], e iria perder todo o lucro da noite por causa desta festa.

- Furlan?
- Que foi?
- Vai se declarar pra ela?
- Como é?
- Oras, olhe a trabalheira que você está tendo por ela. Fala sério, tu tá totalmente apaixonado.

Furlan resmungou algo incompreensível, e encarou Raul com um rosto pensativo. Logo após continuou a organizar o lugar. Egon chegou aproximadamente cinco minutos depois, e ao ver o rosto de Furlan ainda pensativo, não falou nada e foi direto conversar com Raul. Olhou para Furlan e perguntou:

- Diagnóstico?
- Ah, ele tá perdido, o inconsciente provavelmente já notou isso, o consciente aparentemente não acredita, ou prefere não acreditar.
- Caso complicado.
- Já viu ele assim antes?
- Já, mas nada deste porte.
- Vão falar sobre mim quanto tempo?
- Até adivinhar a data do casório.
- *Suspiro*, sabe Egon, às vezes você fala demais.
- Ah, qual é Furlan, tu tá caidinho por ela.
Furlan vira o rosto e continua:
- E vocês acham que eu não sei disso? Eu sei que gosto dela, mas ainda não sei precisar o quanto, só sei que ela me faz bem.
- E é o suficiente pra fechar a casa por uma noite pra fazer uma festa, não é?
- Tu fala como se eu nunca tivesse feito isso antes, para vocês inclusive.
- Oras, é diferente.
- Diferente nada, posso conhecê-la a pouco tempo, mas me diga Egon, o tempo de uma amizade faz tanta diferença assim?

Egon não respondeu, sabia que o tempo não importava, e agora conseguiu compreender Furlan.
Ele não estava perdido, estava receoso, e queria aproveitar todo o tempo que pudesse para fazê-la feliz. Assim ele ficaria feliz. E não queria perder tempo, sofreu por perder tempo estupidamente no passado.
Agora Egon entendeu o quanto Amanda se tornara especial para ele, e sorriu.

- Ah, Furlan... Vamos, pecisa de ajuda em quê?

Organizaram tudo, os amigos dela chegaram, e então todos esperaram por ela.
Quando ela abriu a porta, uma leve brisa soprou por detrás dela, ela fechou os olhos por um instante absorvendo a sensação. Foi uma cena linda.
Abriu os olhos, viu a organização do lugar, fitou Furlan, no balcão, sorrindo para ela. Respirou profundamente e então disse:

-


Hum, essa fala não sou eu quem inventa. E então Amanda, o que você disse?

^^,

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cognitio Derelictum - Inovações parte 2

Furlan estava sentado no seu local habitual do pub, geralmente se mantinha lá até o movimento aumentar, e então se dirigia ao seu escritório no interior do estabelecimento.
- Furlan!
Ele olhou para o bar, Raul estava lá, e apontava para a jovem, Amanda. Fez um sinal com a cabeça para ele, e então esperou que ela se aproximasse.
Ficou observando ela se aproximar, e deu um pequeno sorriso quando ela lhe olhou.
- Olá, pode sentar.
- Obrigada.
- Então, senhorita Amanda, andei olhando seu currículo. E devo dizer, gostei dele. Mas antes de lhe contratar tenho que perguntar uma coisa.
- Tudo bem. Mas pode me chamar só de Amanda, por favor.
- Fiquei sabendo que você aceitaria trabalhar aqui até mesmo lavando pratos, isto é verdade?
- É sim.
- E posso saber por que?
- Ora, por tudo isso.
Levantou os braços como se estivesse mostrando o pub para Furlan.
- Sempre quis trabalhar em um lugar como esse, repleto de pessoas interessantes.
- Mas, se você ficasse lavando pratos, não veria os clientes que frequentam o Cognitio.
Ela olhou ele nos olhos, depois olhou em volta distraídamente, fitou a mesa por alguns instantes, então olhou novamente para ele e respondeu.
- Não são só eles que são interessantes.
Por um instante Pietro sequer respirou, depois voltou perdido à realidade. Pegou o currículo já decorado em suas mãos e fingia procurar algo.
Respirou fundo e continuou.
- Bem, Amanda, olhando aqui, acho que posso lhe conseguir algo melhor do que lavar pratos.
- Mesmo? O que?
Furlan estava perdido por causa daquele sorriso desconcertante, e agradecido por Egon não estar por ali para ver isso.
- Vejamos, acha que tem algo que poderia ser mudado por aqui?
Olhou em volta e rodopiou o dedo em riste.
- Hum... Bem talvez algumas coisas.
- Ótimo, se aceitar, será nossa decoradora, a primeira aliás, e então?
Ela arregalou os olhos e alargou seu sorriso.
- Claro, claro que sim, começo quando?
- Bem, oficialmente amanhã, traga sua carteira de trabalho, mas se quiser, pode ir planejando algo hoje mesmo. E aproveite o Cognitio, tudo por conta da casa, faça uma avalição completa.
- Nossa, nem estou acreditando, vou ficar hoje sim. Obrigada.
- Não há o que agradecer. Agora tenho que falar com Raul, aquele rapaz que lhe disse para vir falar comigo, até mais tarde.
Sorriu para ela e foi até o balcão.

Mais tarde, Furlan ainda estava no balcão, sentado em um dos bancos. Observava o movimento e Amanda olhando tudo e fazendo pequenas anotações.
Um rapaz chamou sua atenção, pois acabara de entrar e já estava notavelmente bêbado. Perguntou-se por que Luigi deixara alguém nesse estado entrar ali, olhou para Raul com o cenho fechado e fez um sinal em direção ao rapaz.
O jovem sentou em uma mesa, próximo de Amanda, que estava lendo os títulos dos livros na parede sul do pub.
- Mande Call chamar o Luigi, mas sem alarde.
Raul assentiu e entrou para dentro do bar para chamar Call.
O rapaz ficou encarando Amanda, que olhava os livros, então começou a falar tão alto que quase todos ouviam.
- Você é bem bonita sabia. A piranha da minha ex também era.
Ela olhou assustada para ele, então afastou-se um pouco, esperando que ele parasse.
- Aliás, é bem mais bonita que ela, rá, só porque eu dava uns tapinhas nela ela resolveu chamar a polícia. Vadia.
Amanda olhou assustada em volta, Furlan já havia se levantado e se dirigia ao jovem. Call, saía de trás do balcão e ia em direção à entrada.
- Devia ter visto a cara que ela ficou hoje, haha, toda pintadinha, roxo e preto. Mas vem cá gatinha, você ainda não me disse seu nome.
- Desculpe, mas você tem de sair daqui agora.
O rapaz olhou para Pietro e gritou.
- Vai à merda, você sabe quem eu sou?
Nesse instante Call reaparece na entrada e grita.
- O Luigi está inconsciente no chão.
O rapaz levanta-se e saca uma arma, a qual aponta para a cabeça de Furlan.
- Ele não devia ter tentado me empedir de entrar aqui, ora aquela piranha adorava vir aqui, HAHAHA, agora nunca mais vai vir, nunca mais vai ir em lugar algum.
Furlan resetou o corpo e ficou parado, olhando para o jovem sem sequer piscar.
- Eu sou Leon Zucchini. Agora me traga uma bebida. Ou então...
Ele engatilhou a arma. Furlan sorriu e disse.
- Tudo bem.
Ouviu-se um disparo, o rapaz estava caído no chão, atrás dele estava Amanda, com um grande livro, que mal conseguia segurar, olhava com o rosto assustado para Pietro, e este ainda a sorrir.
- Ele, não te acertou?
- O que? Mirando dois metros acima de mim? Duvido muito, bêbado idiota. Aliás, adoro esse livro "o Tempo e o Vento", primeira edição sabe. Sempre nos salva nos piores momentos, noites solitárias ou bêbados armados, são sempre a solução.
Ele foi até ela, no caminho chutou a arma para longe, e Raul foi pegá-la.
- Vá ajudar o Luigi, e chame uma ambulância pra ele, desse eu cuido.
Alcançou Amanda, tirou o livro das sua mão, olhou pra ele, sorriu, e voltou os olhas para fitá-la, ainda sorrindo.
- Péssimo primeiro dia, não é? Nem sempre é assim. Aliás, obrigado por salvar minha vida.
Ele largou o livro na mesa, olhou novamente para ela, que estava com lágrimas nos olhos. Ela avançou um passo e o abraçou.
- Tudo bem, tudo bem. Já acabou, não se preocupe.
Fez ela sentar-se na cadeira e então pegou o rapaz no chão pelo cangote, apertando firmemente.
- Muito bem, meu caro Zucchini, vamos dar uma voltinha.
Saiu com ele pela porta principal, onde lá fora a família de Luigi já estava tentando reanimá-lo. Eles moravam perto, e ouviram o tiro vindo do local.
- O que houve Pietro?
- Mario, quero lhe apresentar esse babaca, babaca, esse é Mario, o irmão do cara que você nocauteou, e olhe, esses te olhando, são o resto da família dele.
O rapaz arregalou os olhos, já prevendo o pior.
- Mãe, cuide do Luigi, nós vamos dar uma voltinha.
Mario agarrou Leon pelos cabelos e saiu arrastando-o, outros três homens da família o seguiram.
- Venha, vamos lhe mostrar essa parte da cidade amigo.
Pietro olhou para Raul, e este disse que estava tudo bem, melhor era entrar e acalmar às pessoas que ainda estavam lá. Ele entrou e então viu todos ainda sentados em seus lugares, um pouco tensos, é verdade, mas mesmo assim, sem aparentar vontade de ir embora.
- Eu falei com eles, acho que vai ficar tudo bem, e ah, prometi um desconto de 30% pra eles, tudo bem?
Furlan ainda estava aturdido.
- Heim? Claro, tudo ótimo. Vamos, vamos beber algo.
Foram até o balcão. Sentaram e Furlan começou a gargalhar baixinho, então parou e ficou sorrindo para Amanda. Ela sorriu, levantou as sombrancelhas, virou o rosto, mas continuou olhando para ele.

E ficaram assim, por algum tempo.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cognitio Derelictum - Inovações

Pietro Furlan, como sempre, estava a caminhar em direção ao Cognitio Derelictum.
Na mente as mudanças que ocorreram, naquele ano faziam três anos de sua inauguração. Tantos funcionários que já se foram, Mário [Luigi ainda trabalha lá], Agatha [Sumiu, tão subitamente como chegou], tanta coisa havia mudado, Egon voltara de sua viagem, Raul amadureçera tanto.
Andava, com as mãos no bolso, e o ar batendo no rosto.
Ao chegar no pub, abriu a porta e de lá saiu uma jovem, notável jovem. Sorriu e disse:
- Oi.
Pietro disse um olá meio torto, a cena o desconcentrara, ainda estava com um pé no ar, entrando no pub. Acabou entrando por instinto.
Egon o olhou de soslaio, e com um sorrisso perguntou.
- O que houve?
- Heim? Por que?
- Ora, essa tua cara de perdido, tá pensando em que? Ou melhor, em quem?
- Eu? Ah, ninguém... ...quem era essa moça que acabou de sair?
Egon deu uma bela gargalhada antes de continuar.
- Ela? Hum, é, já imaginava que ia perguntar. Tome, é o currículo dela.
- Tá, tá, me dê, e pare de pensar bobagens.
- Que bobagem? Não estou pensando em nada.
Beneddeto girou os olhos. E Furlan levantou uma sombrancelha olhando para ele.
- Hum, Amanda...
- O que?
- Eu disse que o nome dela é Amanda.
- Eu sei, já li o currículo. É ótimo se quer saber, já a teria contratado, mas você insiste em saber de tudo o que ocorre por aqui. Apesar... que eu acho que não vai fazer nenhuma objeção nesse caso vai?
- Ó noossaa, você lê a minha mente. Não há nada sobre cargo aqui, ela disse algo a você?
- Disse que trabalharia até lavando pratos.
- Isso é sério?
- É.
- ...
- E então?
- Ah, sim, está contratada, estava pensando no que ela poderia fazer...
- Haha, contrata e nem dá um serviço, logo vi.
- Viu o que?
- Nada, nada, vamos, sei que já tem algo em mente, o que é?
- Decoração. Ela parece que tem um quê artístico.
- Como é? Furlan, o gran paisagista do Cognitio, contratando alguém para remodelá-lo? Eu tive que brigar contigo por meses por umas mudancinhas.
- Eu já estava pensando em mudar as coisas, naquela época das suas mudanças não.
- Você mente muito, muito mal.
- Não importa, e então, VOCÊ tem algo contra?
- EU? ha, como se pudesse ter sem você me arrancar o figádo e comê-lo na minha frente.
- Isso seria nojento, eu iria assá-lo antes.
- Claro, claro.
- Muito bem, peça para o Call ligar pra ela, e avisá-la para aparecer aqui mais tarde.
- Sim, chefe.
- E desde quando eu sou o teu chefe?
- Hum, então... sim, sócio opressor e possessivo.
- Porém charmoso.
- Claro, sócio opressor e possessivo, porém charmoso... Ou quase.


Continua...
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O violinista

Lá foi ele com seu violino pelo metrô.
As pessoas o observavam, preconceituosas, mas não discriminadamente. Simplismente não estavam acostumadas a ver alguém com um violino, mesmo que dentro da caixa, cabelo presos de uma maneira que ficavam ainda soltos, calça jeans, camiseta básica, suspensórios.

Desceu na estação Mercado, e então dirigiu-se até a Casa de Cultura. Cumprimentou alguns
rostos conhecidos pelo caminho.
Aquele não era um bom dia, nem aquela semana, ou aquele mês, no seu pensamento, ele não
conseguia se lembrar da última vez em que realmente tivesse se sentido verdadeiramente livre daquela melancolia que lhe cobria o coração.

Chegou ao local, passou os olhos pela cinemateca. Lá viu, ela estava lá, uma velha e boa amiga, já haviam tido até um caso por algum tempo, mas a familía atrapalhou e muito mais do que devia, ambos sabiam que foi melhor naquele momento manter apenas a amizade. Ela não o viu naquele momento.


Subiu até uma das passagens entre os dois prédios da Casa de Cultura. Retirou o violino da caixa, afinou suas cordas, lentamente e apreciando o momento, deslizou o breu pelo arco. Fez alguns acordes iniciais e então começou a tocar.

Era uma música lúguebre, soturna, mórbida, porém lindamente composta, parecia que até
mesmo o ar parava e se tornava mais pesado diante de tal maravilha. Até mesmo os pássaros pararam o seu canto. Em algum lugar, uma lágrima rolou.
O seu corpo acompanhava a música, movendo-se lentamente, porém combinando com o ritmo por ele mesmo produzido. Olhos fechados, a atenção e o sentimento voltados apenas para o instrumento.


Ele abre os olhos, ela está lá, na sua frente.
Surpreendeu-se, mas não parou a música, que fora tornando-se mais suave, ela sorri, ele a
acompanha. Ele fecha os olhos novamente, ainda sorrindo.
A música transforma-se radical e brandamente, o tétrico soneto se tornava em um encantador minueto. A atmosfera ao seu redor acompanhou a mudança, o ar, os pássaros, parecia haver tudo ganhado vida devido ao simples sonido vindo do intrumento. Em algum lugar, um sorriso se abriu
e um olhar fitou o céu.


Ficou assim por algum tempo, depois parou. E então ficaram os dois, ali, durante uma breve
eternidade, falando sobre a vida.
Ele foi embora, naquelas viagens bem chatas de volta. Mas sorria, e para
seu próprio espanto, sorria sinceramente.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cognitio Derelictum - Revelações

Furlan andava com as mãos no bolso, o rosto sorrindo levantado para o céu. Era um dia frio de outono, e o céu estava com sol e muitas nuvens. As ruas de Roma estavam esplêndidas com suas frondosas árvoras com as cores características da estação.

Comprou um café preto em um local próximo, andou até o banco de uma praça. Alguns minutos depois uma moça com seus cabelos em um penteado despenteado, mas de alguma maneira encantador, se aproximava por trás dele indo contra o vento. Parou ao seu lado com um sorriso no rosto e perguntou com o maior ar de inocência:

- Posso me sentar aqui, senhor?
- Se não me chamar de senhor claro que pode, não sou tão velho assim.
- Haha, tudo bem.

Agatha sentou-se ao seu lado, segurando seu braço e colocando a cabeça em seu ombro.

- Queria saber uma coisa.
- Hum.
- ...
- Oras, pergunte.
- Bem... é que eu queria saber o que o Egon quis dizer quando ele falou que você tem o dom de inspirar a confiaça de qualquer um.
- ... Não sei se é um dom, mas tenho que admitir, é verdade.
- Como assim?
- Não sei explicar como, mas as pessoas tendem a confiar em mim mesmo sem um motivo.
- Ele falou também que você sempre fez por merecer esse dom, o que ele quis dizer?
- Que eu nunca traí quem confiou em mim.
- ...

O olhar dos dois perdeu-se no horizonte. Um vento mais frio fez com que ela se apertasse um pouco mais contra o braço dele.

- Nunca gostei de ninguém assim sabia?
- Assim como?
- Sei lá, me sinto bem contigo, tudo parece tão simples.
- Haha, bem, ao meu ver tudo é realmente simples, as pessoas que complicam.

Silêncio novamente.

- Mais algum "dom" que eu deva saber?
- Mais? Esse já não está de bom tamanho?... Haha, certo, adicione empatia, epifanias e uma boa intuição à minha lista de estranhices.
- Você não é estranho.
- Não sou normal, e isso já me basta.
- Tá tu é estranho...
- Haha, viu, é uma verdade imutável.
- Nada é imutável.

Ele concordou com a cabeça, ainda não sabia o que, mas algo estava prestes a acontecer. E não seria bom.


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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Cognitio Derelictum - Divagações

Raul se sentia perdido. Ele estava parado em pé no porto, observando a movimentação e todas aquelas pessoas que iam e vinham dos navios. Sempre fora apaixonado pelo mar, ou pelo menos pelas histórias que seus livros falavam sobre o mar.

Seu pensamento percorria lembranças de como fora influenciado a se tornar um bartender, o entusiamo de seu irmão e de Furlan no início de tudo aquilo, a correria, a agitação, a contagiante alegria que emanava deles. Teria sido impossívle manter-se afastado.

Estava agora iniciando sua formação em Filosofia, e a necessidade de pensar e refletir sobre a vida lhe invadia a todo momento.


(Por falta de tempo o post será terminado em breve {se meu irmão não levar a 3G daqui})

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terça-feira, 3 de março de 2009

Cognitio Derelictum - passeio

Furlan andava pelas reulas da grande Roma, andava distraidamente, com o pensamento voando solto sem se prender em nada. Estava indo ao pub um pouco mais cedo do que o costume. Na verdade ele nem seria aberto hoje, era o dia da revisão e desinsetização anual, regra que Furlan seguia à risca. Mas sabia que Beneddeto estaria lá organizando as bebidas e afins. E ele queria uma companhia para conversar.

Chegou, checou a porta e viu que ela já estava aberta. Entrou e acertou quanto ao fato de Beneddeto, só errou na quantidade, tanto Raul quanto Egon estavam lá.

- Ei, olhe quem chegou...

- Como vão os irmãos Beneddeto?

- Ora, eu vou muito bem obrigado, já Raul eu acho que andou cheirando veneno contra pragas demais.

- Hahaha, engraçadinho dá próxima você fica encarregado da limpeza pós-desinsetização.

- Calma Raul, como sabia que estavam aqui vim convida-los para sair, tomar algo, bater papo e rirmos dos estrangeiros...

- E não somos todos estrangeiros aqui?

- Então vamos rir de nós mesmos também, oras...

- Hahaha, o Furlan esta mesmo de bom humor hoje não está? Fico imaginando o motivo dessa alegria.

Raul olhou para o irmão com um sorriso de escárnio no rosto. O rosto de Egon abriu em um sorriso semelhante.

- Pois é, meu irmão acho que nosso querido amigo levou uma flechada do cupido.

Egon imitou uma flecha sendo lançada de modo bem espalhafatoso. Furlan o olhou e levantou uma sobrancelha e fez um sorriso torto.

- Não sei do que está falando...

- Ah sim claro que não sabe.

Os irmãos se olharam e cairam na gargalhada. Depois Egon ainda com um sorriso no rosto olhou maliciosamente para Furlan e depois para a direção onde fica o acervo de livros do pub, sem em nenhum momento disfarçar a diversão no seu rosto. Quando Furlan viu quem estava lá entendeu a zombaria deles, era Agatha, após vê-la e voltou seu olhar mais para Raul que Egon, e fez um sinal como que perguntado o que ela estava fazendo ali.

Raul, deu de ombros ao mesmo tempo que revirava os olhos, e seu irmão caiu na gargalhada ao ver a cena.

- Engraçadinhos.

Agora a risada era dos dois. E foi de tal maneira que fez com que Agatha vira-se para ver o que estava acontecendo. Ao ver Furlan ali piscou algumas vezes com se estivesse adaptando os olhos à luminosidade, depois fez uma cara de alegria misturada com surpresa.

- Olá Furlan, não tinha visto você aí.

- Nem eu você, boa noite. Mas me diga, o que esta fazendo aqui hoje?

- Perguntei ao Raul ontem se poderia vir até aqui hoje para reorganizar melhor os livros, e pesquisar novas aquisições, acho que vai gostar do trabalho.

- Ah, certo então...

Furlan deu um sorriso meio torto novamente, depois lançou um olhar zangado aos irmãos que simplesmente viraram os olhos disfarçadamente.

- Aliás, - continuou Agatha - do que estavam rindo.

Ela então colocou um livro na estante e começou a vir em direção de onde estava Furlan que neste momento parou de fitar os irmão atrás do bar e virou seu olhar para ela.

- Bem, ao que parece meus caros amigos estão me achando feliz demais para mim mesmo.

- Haha - ela então parou em uma posição semelhante à de um critico de arte ao analizar uma obra - ora, acho que eles tem razão, e você fica mais bonito sorrindo.

Furlan não conseguiu juntar coragem para olhar os irmão Beneddeto naquele momento, mas podia sentir suas risadas sufocadas. Então respirou fundo por um momento, e virou o rosto para os dois.

- E então vamos ou não?

- Claro que sim, mas com uma condição.

Egon fez um sinal com a cabeça na direção de Agatha. Furlan revirou os olhos.

- Nos daria a honra da sua companhia senhorita?

Falando isso Furlan fez um gesto exagerado com o braço, ofereçendo-o para Agatha. E para sua surpresa quando viu ela já estava agarrada ali.

- Ora é claro.

Ela falou isso com um grande sorriso no rosto, o que fez com que Furlan, apesar de surpreso com a reação também sorrisse.

- Viu eu disse que você ficava mais bonito assim.

- Hum, então quer dizer que quando estou sério eu sou feio?

Ela respondeu timidamente, quase num sussurro.

- Não foi isso que eu disse.

Furlan a fitou por um momento, ela o olhava também.

- Gostaria de saber o que tem no seu olhar que me faz me sentir segura com você.

- Ora minha cara e bela Agatha - era Egon falando - esse é o dom do Furlan, ele inspira a confiança de qualquer um, e pra dizer bem a verdade até hoje ele fez por merecer esse dom.

- Que bom então.

Falando isso Agatha aconchegou-se mais no braço de Furlan.

- Bem, vamos indo ou eles vão começar a dissecar a minha história de vida.

- Eu não me importaria de ouvir.

- Nem nós de contar.

Furlan virou o rosto para Egon.

- Agora chega, vamos.

Foram todos andando e conversando até uma rua mais movimentada e aberta da cidade e seguiram até um restaurante que dava uma visão privilegiada da cidade, onde sentaram em uma das mesas localizadas na calçada. Agatha não largou o braço de Furlan até que chegaram ao local, mas em algum momento do caminho seus mãos se juntaram, e os dedos se entrelaçaram.

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Cognitio Derelictum - contratações

A chuva estava forte aquela noite, mas isso nada mudava o andar calmo de Furlan, gostava da chuva, e a muito tempo não temia mais os rais e trovôes das tempestades. Seu principal prazer era a ajuda que a água caindo e escorrendo em si trazia para seus pensamentos, cobrindo-lhe com um sentimento de paz e imensidão. E hoje em especial havia muita coisa em sa cabeça.

Mas neste momento estava se preocupando mais com o fato d que provavelmente o pub estaria vazio, afinal quem iria sair num tempo desse? Até mesmo a frequesia fiel de todos os dias falhava quando o clima estava assim.

Chegou à entrada do Cognitio Derelictum e foi saudado com a formalidade de sempre.

- Boa noite, Sr. Furlan.

- Já é hora de parar com esse 'senhor' Luigi...

- Sim, senhor.

Furlan olhou para o segurança e abriu um largo sorriso, gostava de Luigi, era confiável, mas as suas maneiras acabavam mais sendo motivo de graça ultimamente.

- Certo então, mas não precisa abrir a porta, vou entrar pelos fundo hoje.

Luigi olhou para suas roupas encharcadas, claramente pensando no porquê de seu chefe não ter usado um guarda-chuva ou então pego um taxi.

Furlan entrou pela porta localizada no final do corredor ao lado do seu pub, ali ficava o depósito geral, e logo após estava o vestiário masculino onde ele raramente ia, mas sempre deixava algumas mudas de roupa para o caso de uma emegência. Colocou uma calça jeans, uma camiseta preta e um sobretudo de couro preto opaco. Logo após foi para dentro do pub.

Parou por um momento olhando o movimento lá dentro, estava quase lotado, com várias mesas movidas e formando grandes grupos. Deu um sorriso de lado e riu para si mesmo, logo após foi para o bar.

- Olá Raul.

- Olá Karl.

- Surpreso com o movimento?

- Sim, mas de uma forma agradavel. Parecem grupos grandes, sabe quem são?

- Hum, se não me engano é um grupo de estudantes em intercâmbio, parece que já tinham ouvido falar de nós e resolveram conferir.

- Hahaha, isso me parece trabalho do seu irmão, mas me diga Egon está por aqui?

- Hoje não, comprou trufas a peso de ouro no mercado pela manhã e acabou ficando o dia todo trabalhando nos seus projetos gastronomicos com elas.

- Bem pelo menos esta fazendo algo construtivo...

- ...

- eu acho...

- Hahahaha

- Hahaha, essa foi ótima, não foi?

- Egon realmente não combina com a frase 'fazendo algo construtivo'. Geralmente seus acertos são sem querer.

- É verdade... Bem, me dê um café preto que eu quero ir me sentar e descansar as minhas pernas.

- Certo, é pra já. A propósito uma moça largou um curriculo aqui mais cedo, quer dar uma olhada?

- Hum, claro, é sempre bom ver sangue novo e feminino por aqui.

- Haha, claro, aqui está, e o café também. Aliás, a garota é aquela sentada sozinha na mesa ao lado da sua, e olhando daqui até me lembra você parado e lendo seus livros.

- Nossa, você realmente acha que pareço tão sexy assim Raul? Você nunca disse isso antes.

- Ah, vá se catar Furlan, você entendeu o que eu quis dizer.

- Haha, calma, eu entendi sim, hehe, mas não resisti a piada.

- Gozador, se manda que eu tenho trabalho a fazer...

Furlan foi para o seu lugar habitual rindo para si mesmo, sentou e tomou um belo gole do seu café. Logo após pegou o cúrriculo e começou a lê-lo, parecia mais uma descrição da personalidade da garota do que qualquer outra coisa:

__________________
Agatha Treville Montjean

Sou uma sonhadora, e vou atrás dos meus sonhos. Gosto de ler, ouvir musica antiga, cantarolar sozinha, dançar. Não me importo muito com o que os outros pensam sobre o que eu faço, apenas sou eu mesma sempre. Sou espontânea, criativa e dedica quando faço aquilo que gosto.
Mas isso não é nada, não se deve julgar um livro pela sinopse.
__________________


Furlan lentamente levantou seus olhos do papel e olhou para a garota, e percebeu que ela o fitava ansiosamente. Ele então voltou o olhar para o papel, o amassou e jogou-o no lixo.

Agatha viu a cena e então com uma expressão que misturava raiva e derrota fechou o livro que estava lendo, largou-o na mesa, e começou a levantar-se. Foi então que ela viu que Furlan estava se sentando na cadeira ao seu lado.

- Também não gosto de sinopses, gostaria de conhecer o livro pessoalmente.

Demorou alguns segundos para Agatha compreender o que estava acontecendo, então seus olhos encharcaram-se e então abriu um lindo sorriso. Era um sorriso contagiante, e fez com que Furlan sorrisse também.

- Ah, olá... Meu nome é Agatha...

- É um bom nome para uma protagonista.

Agatha sorriu timidamente ao ouvir isso, e novamente Furlan seguiu o sorriso.

- Bem no que você pretende trabalhar aqui Agatha?

- Em qualquer coisa.

Ele levantou uma sobrancelha e fitou ela por algum tempo.

- Não se importa com o que seja?

- Não, já ouvi falar sobre o senhor, e sei que seja o que for não será nada desonroso.

- Hum...

Furlan abaixou os olhos e ficou a fitar o nada por um instante.

- Certo, mas acho que você conseguiria um bom emprego em outros lugares, por que exatamente aqui?

- Não sei, gosto do ambiente, tudo aqui me atrai.

- Hum, e como sabia que eu não daria-lhe um trabalho "desonroso"?

- Isso é porque eu já havia vindo aqui antes, e ouvi algumas vezes outras mulheres perguntando ao barman ou a outro funcionário sobre você, todas bem interessadas. E eles sempre respondiam que o Sr. é um homem sério, e não gosta de nada sem compromisso, que preza os valores antigos e mantém sempre uma atitude digna.

- É já fiquei sabendo de casos assim pelos meus empregados e pelo Beneddeto também. Mais alguma coisa que a fez escolher este lugar?

- Você.

- Como assim?

- Ora pelo que eu acabei de falar, e também, que outro chefe após ler aquilo que eu escrevi tomaria uma atitude como a sua?

- Entendo...

- E então? Contratada?

- Em período de teste...

Agatha abriu um largo sorriso, e Furlan apesar de tentar evitar não conseguiu ficar sem sorrir também.

- Ótimo, muito obrigada, vou fazer por merecer.

- Assim espero, pode começar amanhã mesmo. Esteja aqui às 19:30.

- Certo.

Ela começou a arrumar as suas coisas e começou a se levantar.

- Ãh, você não quer ao menos saber o que vai fazer?

Ela olhou confusa para ele, então sacudiu a cabeça e deu uma leve palmada em sua testa, sempre sorrindo.

- Claro, desculpa a distração.

- Haha, sem problema, bem você irá recepcionar os fregueses, e também cuidar da organização dos livros, por enquanto é só, acha que da conta?

- Sim, senhor.

- Hum só mais uma coisa.

- O que?

- Me chame de Furlan apenas.

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